Jogo: perigo para quem tendência?

Marcos não deixa seu filhinho de 3 anos brincar com jogos violentos. Acha que estes brinquedos podem influenciar negativamente seu desenvolvimento. De que forma? Banalizando a violência. Pensa que familiarizado com ela, o filho não terá mais escrúpulo para fazer na vida real aquilo que realiza no mundo virtual, no jogo: agride, fere, mata, destrói. Será que Marcos tem razão?

BOM DESENVOLVIMENTO – Aqui o campo se torna vasto para polêmicas. Segundo a corrente de pais que Marcos representa, os jogos educativos influenciariam para o bem; os agressivos, para o mal. Então, a utilização de certos tipos de jogos, incentivaria comportamentos louváveis? É possível.

Contudo, não é um aspecto abordado com frequência. Seria por que o uso frequente de jogos não violentos, não incentiva o bom desenvolvimento da criança ou incentiva mas faltam pesquisas nesta área? Muitos pais e outros educadores acreditam que os jogos contribuem para o crescimento saudável da pessoa. Claro, depende do tipo de jogo. Por isso, enquanto conseguem, não deixam os filhos terem acesso a jogos violentos, por exemplo. Preferem oferecer jogos educativos.

COMPULSÃO – E a frequência as jogos? Ofereceria algum perigo jogar com frequência? Depende. Quando o jogo deixa de ser distração e toma o lugar de outras atividades importantes, constitui perigo. É um bem que, levado a extremos, pode ser um mal. O condicionamento pode chegar ao ponto de se tornar uma compulsão. Aqui mora o mal. A distração vira pesadelo.

LATÊNCIA – Aqui não pode faltar a pergunta: Os jogos frequentes podem condicionar a pessoa comportamentos inadequados ou negativos? A polêmica é maior neste terreno.

No entanto, parece que predomina o entendimento de que o jogo frequente pode reforçar comportamento negativo quando já existe uma tendência para ele. Observou como o perigo não estaria no jogo? Estaria mais na pessoa. A tendência latente para se ter comportamentos agressivo sofreria algum estímulo.

VIOLÊNCIA – Há estudos desenvolvidos pela Universidade do Texas,[i] afirmando que os jogos violentos, por si só, não tornam a pessoa violenta. Só influenciam as crianças que já tenham propensão a perturbações de personalidade. Assim pensa também o psicanalista Francisco Daut.[ii] Segundo esta visão os jogos frequentes reforçam o comportamento de jogar, independentemente da natureza do jogo, mas não necessariamente criam comportamentos agressivos. Depende da propensão que a pessoa já tenha para este ou aquele comportamento inadequado. Mas, fica a pergunta: por que algumas crianças que assistem a filmes violentos ou brincam com jogos aterrorizantes, têm medo do escuro na hora de dormir, têm medo de vampiros, de virarem zumbis, de serem arrebatados por monstros?

A par de tudo isso, o jogo permanece com seu valor. Ensina a respeitar, a conviver. Será que por este motivo foram criadas as bonecas negras? Sem dúvida, brincando se aprendem sobre valores. Talvez seja necessário divulgar mais pesquisas sobre o efeito dos jogos violentos e dos jogos que não lidam com a violência. Seria uma forma de dar argumentos mais sólidos  aos educadores. Não sei se você está mais para Marcos, que preserva o filho dos jogos agressivos.  Todavia, por enquanto tem sido mais comum, do ponto de vista experimental, não serem incomodados os pais cujos filhos adoram jogar com armas na mão e vibram com sangue na tela.

João Batista Nunes Coelho

   Consultor e psicólogo

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[i] POZZEBON, Rafaela. http://www.cienciaempauta.am.gov.br/2013/02/jogos-violentos-podem-influenciar-na-mente-de-criancas/, acessado em 30/03/2015.

[ii] BOHRER, Márcio. http://www.oficinadanet.com.br/post/11219-jogos-violentos-podem-fazer-jovens-cometer-crimes, acessado em 30/03/2015.

Ser pai e ser mãe

 

Alguém ensinava que em toda família
O pai é coluna e a mãe cobertura
Bonita metáfora, mas não compartilha
igual importância na mesma estrutura.

Que é mais importante: telhado ou coluna?
Eu sei que os dois são, mas diferem bastante.
Entre eles não há importância igual, una,
há até precedência em razão de instante!

Parece que só a coluna confere
firmeza e só nela está a resistência,
Coitada da mãe, será que não transfere
também com seu jeito igual consistência?

A imagem do pai que dá o tom, só com a vista,
e a mãe cuja parte é o carinho, ajeitar,
não é uma idéia passada, machista,
que a realidade está aí pra mostrar?

Há filhos apenas por pais educados,
há outros que apenas por mães também foram!
Será que esses filhos não são realizados
E mais nestes lares problemas estouram?

Há lares felizes só erguidos com o pai
e lares felizes que só mães construiram?
Também não há lar que com pai e mãe cai?
E lares – não poucos – com pai e mãe, que ruiram?

Se em nossa cultura há o masculino
com um jeito próprio de se externar,
Também há o jeito de ser feminino
Com igual importância pra se educar.

Importa a função, o valor transmitido,
com jeito de mãe ou com o jeito de pai.
Valor é valor, tem constante sentido
E não só depende da boca que sai.

Portanto, ser pai é ter uma função
Tal como a mãe tem papel a exercer,
Mas não poucas vezes há uma junção
na mesma pessoa de mais de um dever.

Importa de um e de outro a firmeza,
Importa igualmente dos dois o carinho;
Ao pai, quanto à mãe, cabe dar a certeza,
cada um com seu jeito, em conjunto ou sozinho.

E quanto a valores? A ambos compete
No instante oportuno bem os transmitir.
Demonstra fraqueza e uma falha comete
quem foge da raia da hora de agir.

Por isso, cuidado, ao usar de figura
que às vezes não passa de belos floreios:
Melhor que a família seja uma estrutura,
Pai e mãe são colunas; são ambos, esteios!

J.B.Nunes
08/08/2012, após uma palestra em que a palestrante defendeu a tese de
que na estrutura da família, o pai é a coluna e a mãe a cobertura.